Um bom tempo se passou desde que contei toda a experiência deste projeto tão especial!
A boa notícia é que o Seven days of life deixou de ser um projeto e agora passa a ser uma Coleção fotográfica especial, disponível para aquelas mulheres que também desejam registrar esta primeira semana como MÃE! =)

Para finalizar esta série de posts recheados de histórias, gostaria de fazer alguns agradecimentos especiais às pessoas que estiveram ao meu lado durante estes dias tão intensos.

Em primeiro lugar ao meu marido, Paulo Bettio, que confiou na minha sensibilidade materna, compreendeu a imensidão de sentimentos que invadem a mulher no puerpério e me ajudou a formatar, desenhar e lapidar este projeto! Ao nosso filho Léo, por me fornecer a base desta experiência nos difíceis dias após o seu nascimento e por me receber cheio de amor, ao final de cada dia!

Ao querido amigo Anderson Domenich, pelo logo do Seven days of Life. Ao meu treinador, Fabrício Grau, que ouviu pacientemente o meu relato destes 7 dias e ainda me colocava pra correr e espantar o cansaço!

Ao amigo Rafael Karelinky pelos conselhos sobre a curadoria das imagens.

Aos queridos amigos e parceiros da Revista Fhox, pelo interesse no Projeto e pela publicação da Edição de agosto/2015

A uma família maravilhosa que me acolheu com muito afeto durante 7 dias!
Aos avós, pelo carinho, cuidado e preocupação com meu bem-estar e minha alimentação.
À titia Mel Brancatte por ser uma parceira incrível.
Ao papai Rodrigo, que proporcionou um ambiente sereno para o meu trabalho.
À fofa da Nina que me recebia com abraços todos os dias!

E especialmente à esta mulher corajosa que embarcou nesta ideia comigo e topou mostrar a verdade sobre a maternidade, despida de pudores e vaidades! Obrigada, Mariana, por permitir que outras mulheres se reconheçam e enxerguem esta louca e difícil experiência, com a mais gratificante das lembranças!


Assista o vídeo do Seven days of Life – Mariana e Yuri

Seven days of Life from karimscharf on Vimeo.

Não acredito que chegamos no último dia do Projeto! Eu e Mariana já estávamos chorando só de dar “oi” uma pra outra! Imagine na hora do “tchau”! Foi tudo tão lindo, tão intenso e tão verdadeiro, que não poderia acabar assim, tão rápido!
Mas enfim.. depois de 7 dias, nossos encontros diários chegavam ao fim!

Só que com a gente não tem essa de tristeza! Planejamos um ensaio especial do Luli com a família e foi uma manhã muito feliz!
Era o dia de tirar pijama, esquecer do roupão, esconder as olheiras de sono, soltar os cabelos e celebrar!
So.. let’s celebrate!!!

Durante o projeto, as atenções foram muito mais voltadas para a Mariana e para os desafios do puerpério, do que para o bebê recém-chegado. A Nina, demonstrou desde o primeiro minuto que seria uma excelente irmã mais velha! Sempre muuuito carinhosa e absolutamente entregue ao amor que estava sentindo, queria estar o tempo todo ao lado do Luli, com muitos beijos, abraços e apertões!

Mas neste último dia, queríamos mais fotos do Yuri e da Nina e de alguma forma ela sentiu que havia um foco maior no irmão.
É natural, que pelo fato de ser um recém-nascido, os cuidados sejam mais intensos para ele e que ela ficasse mais à vontade, mais solta.. por que já tem uma certa independência.

E foi essa percepção infantil, esse pequeno e potente radar das crianças que fez com que ela não estivesse tão disposta a participar das fotos! Nos restaram algumas tentativas e depois, respeitar a decisão dela!
Mas mesmo assim temos tantas imagens lindas e afeto entre os dois, que essa manhã só deixou um cheirinho de quero mais!

Nem consigo me despedir hoje, porque não quero me desligar destes 7 dias incríveis.. Então, deixo os agradecimentos para a próxima semana e mais algumas fotos deste lindo momento das nossas vidas!










O sexto dia sacudiu as minhas memórias e me trouxe a lembrança daquela rotina que iria se instalar pelas próximas semanas!
A Mariana estava sozinha em casa. Os seus pais já tinham voltado para o interior, a família já havia voltado a trabalhar, a Nina estava na escola.. Era ela e o Luli! O desconforto na região lombar tinha piorado e ela precisou da ajuda de uma terapeuta pra aliviar a dor.

A casa ainda tinha todas as evidências de que a família passava por um período de transformação, mas a Mariana estava tão cansada que isso finalmente deixou de ser um problema pra ela! Sabia que, em algum tempo, tudo voltaria ao seu lugar!

No pouco tempo que estivemos juntas nesta manhã, aproveitamos para tomar um suco e comer um pedaço de bolo enquanto o Yuri dormia. A rotina intensa daquela semana, que além do trabalho também incluía a maternidade (a minha), também me gerava um cansaço imenso! Ficamos ali, conversamos sobre a vida, sobre filhos, sobre fotografia, sobre planos!

Amamentar é uma delícia!!! Mas só depois que passam todas aquelas dores de ver estrelas! O que eu acho realmente incrível é como gastamos energia só em ficar sentadinhas ali, contemplando a cria no colo enquanto ele mama! Quanto cansaço e quanta fome!!
Eu tinha! A Mari teve.. Que mãe não tem?

Era hora de aproveitar o silêncio da casa para descansar! A Mariana e o Yuri deitaram e ela curtiu uns minutinhos com ele, que estava dando um show pra gente, com caretas, boquinhas e muito charme!
Logo eles dormiram profundamente e finalmente achei que ela teria uma longa e reparadora soneca!

Fui saindo de mansinho sem precisar me despedir, mas então ouvi o Yuri botando pra fora boa parte do leite que ele tinha mamado! Acorda no susto, vira a cabecinha de lado, procura o paninho de boca, limpa tudo pra não engasgar..
Era o sono profundo da Mari sendo interrompido pelo mais lindo ofício do mundo: ser mãe!













Este projeto me deixa repleta de emoção!! Quer saber como ele começou? Clique AQUI!

Tenho certeza que chorar durante o banho, na noite anterior, lavou a alma da Mari! As dores físicas ainda estava lá, mas muitas daquelas dores emocionais tinham ido literalmente, pelo ralo! A casa tinha um clima leve e a Mari estava com um outro astral!

Assim como todos os outros dias, ela me recebeu de pijaminha, que é um dos melhores aliados da mulher no puerpério! Como é bom não ter a obrigação de vestir uma roupa, quando tudo dói! Dói peito, dói barriga, dói as costas.. E o pijama está lá, sem nenhum glamour doando todo o seu conforto pra gente! O fato de ela também estar escovando os dentes e conversando comigo, demonstrava que ela absorveu pra valer a ideia do projeto! Sem pudores, sem frescuras, sem máscaras! Eu ri !

Os avós estavam fazendo almoço, a Nina brincando pela casa com a Tia Mel e o Rodrigo dava suporte e transitava entre todos os ambientes. Em segundos ele mudava do quarto para a cozinha, da cozinha para o banheiro, do banheiro para.. sumiu! Já estava voltando da farmácia, do mercado, da portaria..!

Já que o banho tinha sido a pauta da noite anterior, agora eu estava animada para fotografar o banho do Yuri!
Assim como eu, ela encontrou na bancada da pia do banheiro, o modo mais prático para apoiar a banheirinha! Foi perfeito!
Eu também nunca usei o suporte da banheirinha do Léo! Ai, gente.. palavra de ordem é “facilitar”, né?

O banho foi lindo! Foi real! Foi como eu queria! Nada daquela espuma branca perfeita, bolhinhas de sabão e patinhos de borracha nadando junto. Esse tipo de situação acontece bem mais tarde, quando a criança começa a curtir e interagir no banho e que eu também adoro fotografar.. Mas dentro do nosso projeto, o banho foi verdadeiro, com aquele medo de segurar o bebê de mal jeito, foi sobre a pia com toalhinhas, fraldas e pomadas espalhadas, foi com o pimpolho abrindo os pulmõezinhos ao chorar quando mudava de posição e com a tão temida limpeza do umbigo.

Era um domingo em família delicioso, mas todos nós sabíamos que no dia seguinte a vida retomaria o seu curso e a sua rotina.
Os avós voltariam para a sua cidade, a Mel voltaria a trabalhar, a Nina retomaria as atividades na escola e o Rodrigo e a Mari reassumiriam o controle do tudo, agora com duas crianças.

Por isso fotografei todos, fotografei muito e tenho lindas imagens para entregar para eles!
Eu queria que todos tivessem boas lembranças deste dia e que também levassem lindas fotos para que pudessem ajudar a construir essas memórias lá no futuro!

Vou embora feliz, neste dia que ganhei pedacinhos de bolo na boca enquanto fotografava, que vinham sempre de uma mão carinhosa e preocupada com o meu bem estar! Levei comigo este inesquecível gesto e todo o carinho da Fátima, vó da Nina e do Yuri, minha querida amiga!



















Veja como começou o Projeto Seven Days of Life, clicando AQUI

O dia da apojadura, é certamente o mais difícil do puerpério! O leite desce pra valer e … isso dói, gente!
Mas agora era o momento de fotografar um dos objetivos mais claros do projeto! A verdade por trás do romantismo da maternidade!
Claro que tudo é incrível e apaixonante! E de todos os sentimentos envolvidos com a chegada de um filho, nenhum deles é maior do que a felicidade! Mas alguns, doem! E doem muito!

Eu cheguei na casa da Mariana a noite e a primeira coisa que ela me disse foi.. “Olha a minha casa como está virada“!!
Eu olhei para um lado, olhei para o outro e fiquei quieta (como quem concorda, rs..) e logo percebi que ela estava muito nervosa!
A sala estava habitada por alguns brinquedos da Nina, cobertorzinhos, bebê conforto, sacolas, lembrancinhas da maternidade.. e ela estava de pijama, cinta de compressão e com apenas uma fralda sobre os seios, que estavam enormes!
Logo entendi que era o dia da apojadura e que todos os hormônios do mundo, dançavam sem piedade.

Perguntei de todo o coração: “Como você está hoje, Mari?” Não foi um “Oi, tudo bem?” no automático.. Eu realmente queria saber como ela estava naquele dia! E então ela me olhou e mergulhou num doloroso e longo choro!

Eu realmente lembro muito bem dessa dor! Não só a dor física pelo inchaço e hipersibilidade dos seios, pela cirurgia, pelo cansaço, pela privação de sono (ai, como isso dói)… Mas uma dor emocional mesmo! Aquela que a gente não explica direito, mas que dói, dói muito! Somou-se à perda de um tio querido naquela noite, e apesar dela ter a compreensão que o ciclo da vida estava girando naqueles dias (a partida do tio e o nascimento do Luli) ela tinha mesmo todos os motivos do mundo pra chorar!

A Nina por sua vez, não queria comer! Isso foi deixando a Mari um pouco aflita e pensando em tudo o que tinha que fazer: dar janta pra pequena, amamentar com dor, arrumar a casa, tirar e recolocar a cinta (isso também dói..).. E o choro continuava!

Sugeri que ela fosse tomar um banho.. Acho que, no puerpério ou não, esse é sempre um momento de conexão com nós mesmas! Quem nunca chorou no banho? E eu sabia que lá, ela poderia ter um encontro com ela mesma, ficando um pouco sozinha e em silêncio com toda a sua dor! Fiquei uns poucos minutos fazendo companhia, fui embora de mansinho e torci para que ela tivesse pelo menos algumas horas reparadoras de sono!

Eu sei que este momento nos uniu! Naquela noite eu não a abracei porque queria mesmo fotografar toda aquela realidade!
Mas sei que ela viu nos meus olhos, todo o meu carinho, colo e afeto
No dia seguinte tinha mais projeto Seven Days!











Veja como o Projeto “Seven days of life” começou! Clique AQUI

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